sexta-feira, 17 de julho de 2009

TAV - Trem de alta velocidade brasileiro

Valor Econômico - 17/07/2009
Autor(es): Daniel Rittner
Trem-bala terá custo de R$ 34 bilhões e tarifa de R$ 200 no trecho Rio-SP

O primeiro trem de alta velocidade (TAV) no Brasil deverá ligar São Paulo ao Rio de Janeiro em 94 minutos. No serviço expresso entre as duas maiores cidades do país, haverá 14 trens circulando em 2014, com saídas a cada 20 minutos. Cada composição terá duas classes, com 458 passageiros no total, e tarifas entre R$ 200 (classe econômica) e R$ 325 (executiva), nos horários de pico. No trajeto São Paulo e Campinas, o tempo de viagem será de 42 minutos e a tarifa, em classe única, em R$ 31,20.

As informações fazem parte do estudo preparado pela consultoria britânica Halcrow, revisado pelo Ministério dos Transportes. O governo abrirá uma consulta pública para receber sugestões, antes de elaborar o edital do projeto, que deve ir a leilão no início de 2010.

Estimado no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em US$ 11 bilhões, o trem-bala sairá por valor bem mais alto: R$ 34,6 bilhões, segundo o estudo - sete vezes o orçamento da transposição do São Francisco, projeto mais caro do PAC exclusivamente com recursos públicos. O trem será construído e operado pela iniciativa privada, mas o governo concluiu que não há como sustentar o empreendimento sem algum tipo de subsídio, seja por meio de recursos do Tesouro, seja por financiamento do BNDES, e participação acionária de fundos de pensão. Estão sendo finalizados estudos para avaliar o tamanho da subvenção.

De qualquer forma, como 71% do investimento é em obras civis, o governo espera diminuir os custos do trem-bala com aperfeiçoamentos no traçado. Avalia-se que é possível otimizar o trajeto em três áreas: a saída do Rio (até o município de Duque de Caxias), a Serra das Araras e o Vale do Paraíba (especialmente nas proximidades de Taubaté). Conforme adiantou o Valor em sua edição de 12 de maio, o Campo de Marte abrigará a estação do TAV em São Paulo. Haverá outras sete estações obrigatórias: Campinas (centro), Viracopos, Guarulhos (aeroporto), São José dos Campos, Barra Mansa/Volta Redonda, Galeão e Barão de Mauá (centro do Rio). Além dessas, a concessionária vencedora da licitação terá o direito de construir mais duas estações, que poderão funcionar sazonalmente: em Jundiaí e em Aparecida do Norte.

O estudo da Halcrow expõe uma complexidade inédita no projeto de engenharia: 91 quilômetros (18% da extensão total) serão percorridos em túneis - o equivalente a uma vez e meia a rede em operação do metrô paulistano - e 107 quilômetros (21%) em pontes. O restante do trajeto será sobre a superfície. Só os túneis, segundo o estudo, custarão R$ 10,7 bilhões.

Outra despesa bastante salgada será com as desapropriações, que vão consumir R$ 3,9 bilhões e são apontadas por investidores interessados na licitação como uma das grandes dores de cabeça para tirar o trem-bala do papel. Trata-se de processo lento e complicado, que pode tomar um tempo valioso para os planos de inaugurar o TAV em 2014, para a Copa do Mundo.

Um grupo restrito de funcionários de alto escalão tem discutido o projeto. Após exaustivas análises, ele apresentou os estudos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há duas semanas. O empreendimento é um dos trunfos eleitorais da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à Presidência da República em 2010.

Nas projeções da Halcrow, a demanda do trem-bala alcançará 7 milhões de passageiros por ano no serviço expresso (Rio-São Paulo e Rio-Campinas), sem paradas intermediárias. Os serviços regionais terão demanda inicial de 25,5 milhões de passageiros/ano. Curiosamente, o maior fluxo não será entre as duas maiores cidades do país, mas nas ligações São Paulo-Campinas e São Paulo-São José dos Campos, cujo movimento chegará a 20,6 milhões de passageiros/ano.

Os estudos apontam que a velocidade média do trem, no trajeto Rio-São Paulo, será de 280 km/h, contando as desacelerações da chegada e dos trechos urbanos. A velocidade máxima atingirá 300 km/h. No início das operações, haverá 42 trens em funcionamento, mas o total subirá para 84 unidades em 2034. A compra de material (locomotivas e vagões) exigirá investimentos de R$ 2,7 bilhões.

Grupos japoneses, coreanos, alemães, franceses, italianos, espanhóis e chineses já demonstraram interesse em participar da licitação. O estudo da Halcrow menciona cifras bilionárias para atrair a futura concessionária - a previsão é de as receitas anuais de R$ 2,3 bilhões em 2014.

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