domingo, 8 de março de 2009

Procedimentos Básicos para Condutores

Um material importante para quem trabalha como condutor de atividades turísticas ou planeja essas atividades ou então, têm interesse em conhecer mais, é esse que segue abaixo, na qual nos mostra os procedimentos básicos, as condutas e posturas, os conhecimentos e requisitos/competências necessários para esse profissional desempenhar suas atividades e a realizar um atendimento de excelência.

Este material é encontrado também no site Férias Vivas e tem como fonte Pega Leve e Brasil Aventuras Expedições.


1- CONDUTA E POSTURA EM AMBIENTES NATURAIS

Planejamento é Fundamental
• Entre em contato prévio com a administração da área que você vai operar para tomar conhecimento dos regulamentos e restrições existentes.
• Informe-se sobre as condições climáticas do local e consulte a previsão do tempo antes de qualquer atividade em ambientes naturais.
• Viaje em grupos pequenos de até 10 pessoas. Grupos menores se harmonizam melhor com a natureza e causam menos impacto.

2- ECOLOGIA, BIOMAS BRASILEIROS E SUAS CARACTERÍSTICAS
Todo condutor tem o dever profissional de saber as características do Bioma que está sendo visitado e os cuidados de mínimo impacto ambiental adequados àquele ambiente.
As atividades são, na maioria das vezes, utilizadas por pessoas que desconhecem a região a ser visitada, e preferem a comodidade e a segurança de um condutor, em vez das explorações individuais.
Partindo dessa realidade, cabe ao condutor ser não apenas um mero indicador de caminhos, mas sim um intérprete ambiental, fazendo com que os visitantes absorvam ao máximo informações referentes à diversidade natural, cultural e histórica de uma região.

Conhecimento de informações naturais, históricas e culturais
• Ter interesse em pesquisar novas fontes de informação e estar sempre atualizando seus conhecimentos.
• Todo condutor deve orientar as pessoas do grupo sobre os cuidados com o meio ambiente.
• Conhecer os costumes da região e respeitá-los.
• Orientar os clientes sobre os destino do lixo: “lixo é no lixo”.
• Saber proporcionar ao cliente novos conhecimentos sobre o local visitado.

3- CÓDIGO DE POSTURA DO CONDUTOR DE AVENTURA
• Capacidade de liderar grupos O guia ou condutor deve ser mais do que uma pessoa que conduz outras por caminhos desconhecidos, ele deve inspirar confiança e responsabilidade, passar ao grupo a segurança de que todos estão em boas mãos e que sairão daquele passeio com uma experiência rica de vivência com a natureza e com as outras pessoas. Ser líder é saber ouvir as pessoas e saber tomar decisões que influenciarão diretamente no sucesso da viagem. Seja profissional: a atitude do condutor define o rendimento e a satisfação do grupo.

• Criatividade
Principalmente durante as dificuldades, o condutor será aquele que tomará as iniciativas e que dará o exemplo. Pense bastante sempre antes de tomar alguma decisão. Nos momentos mais difíceis, você deverá estar calmo, tranqüilo e consciente dos seus atos. Exercite a criatividade, isso fará com que muitas vezes uma viagem que poderia estar perdida, se transforme em uma nova aventura. Em alguns lugares, somente a criatividade e perspicácia conseguirão solucionar problemas. Esteja sempre com bom preparo físico e emocional; quando as pessoas estiverem mais cansadas e ansiosas, você deverá estar pleno de suas condições e dará a palavra amiga e o conforto necessários.

• Qualidade das informações
Não tenha vergonha de dizer não sei. Nunca pense que conseguirá e n g anar as pessoas dando uma informação incorreta. Mais cedo ou mais tarde seus clientes vão descobrir e você perderá toda a confiança do grupo. Procure se informar, estude sempre, saiba tudo sobre os roteiros, fique atento aos noticiários, saiba conversar sobre tudo um pouco. As pessoas não esperam de um guia apenas informações mecânicas; elas querem conversar, aprender coisas novas e se encantar com os mistérios e com as diferenças dos lugares visitados. Se você não souber alguma informação, procure se informar e tente, até o final da viagem, dar um retorno à pessoa.

• Conhecimento
Ter conhecimento prévio dos locais a serem visitados (caminhos, estradas, trilhas alternativas, condições das trilhas, distâncias, tempo), assim como rotas de saída, caso ocorra algum acidente, contatar os donos ou responsáveis por propriedades particulares, caso seja necessário.
Conheça bem o destino ou roteiro onde você levará o grupo. Não cabe nesta atividade o amadorismo, é necessário conhecer bem o local e todas as informações que sejam necessárias para o sucesso da viagem. O condutor, principalmente do local, deve conhecer melhor que ninguém a região onde trabalha. Por ser do lugar ou das proximidades, ele vive o dia a dia do local, e fala por experiência própria. Conhece as pessoas, os animais, as plantas, sabe de onde vem o vento de chuva, onde ficam as cachoeiras; o condutor dispõem de informações que outras pessoas não têm. Estar sempre estudando é muito importante, deve-se adquirir novos conhecimentos. Lembre-se que seu principal diferencial é a qualidade de seu serviço.

• Primeiros Socorros
Possuir conhecimentos e equipamentos de primeiros socorros que possam ser utilizados em pequenos acidentes. Se possível, possuir algum meio de comunicação a distância que possa ser utilizado em caso de emergência.
O conhecimento de primeiros socorros, mesmo que básico, é fundamental para aqueles que querem trabalhar como guias, que devem efetuar: completos exames primário e secundário do paciente, tratamento de ferimentos e prevenção de infecções, realinhamento de fraturas e redução de deslocamentos, técnicas de talas improvisadas, noções de farmacologia (alopatia e homeopatia), técnicas básicas de resgate e evacuação, e outros.
Tenha sempre um bom equipamento de primeiros socorros com colar cervical, luvas descartáveis, máscara boca-nariz, materiais para imobilização e para pequenos ferimentos. Possuir um bom rádio de comunicação e aparelho celular também pode ser útil na necessidade de se chamar um resgate, pedir ajuda ou simplesmente enviar notícias.

• Segurança
As ações do guia devem ser sempre bem pensadas, uma vez que podem colocar em risco a vida de seus clientes Seja firme em suas colocações, explique os objetivos de cada atividade, faça com que o grupo se sinta confiante em tê-lo como líder. Não deixe de cancelar um roteiro ou uma atividade caso perceba algum problema ou alguma possibilidade de acidente: lembre-se que você tem a visão do todo, você sabe dos horários, dos riscos e de suas responsabilidades. Como agente que trabalha na ponta do processo, ou seja, que está em contato direto com a realidade do local e percebe a opinião das pessoas, o guia deve sempre propor mudanças que venham agregar valor ao roteiro ou atividade, melhorar condições de infraestrutura e segurança, além de orientar quanto a excelência do atendimento. Essa atitude pró- ativa do guia deve acontecer tanto em relação aos seus fornecedores, quanto para aqueles a que se presta o serviço.

• Instrumento de ligação entre o ambiente e o visitante
O guia é um intérprete da paisagem. Cabe a ele mostrar ao visitante os pormenores, as entrelinhas, instigar no turista a curiosidade e o sentimento de investigação. O que pode ser percebido pelos olhos nem sempre necessita de interpretação, mas, o que se está por trás da atividade e que remonta a história, ou as lendas, aos personagens cabe ao turista ser revelado.

• Características pessoais
O condutor teve possuir características como habilidade, paciência, flexibilidade, pontualidade, apresentação pessoal, identificação individual, gentileza, cortesia, condicionamento físico e psicológico. O guia deve fazer seu Marketing Pessoal, afinal, a primeira impressão é a que fica. Antes que alguém conheça seu potencial como condutor, a primeira coisa a ser avaliada será sua apresentação individual. Cumpra horários, seja cortês, educado e paciente, ouça mais do que fale.

• Comportamento
O Condutor é o “patrão” e o “empregado” do grupo. Ao mesmo tempo em que tem poder, voz de comando, é o responsável pela segurança dos clientes. É também a pessoa que deve atender aos pedidos, responder às perguntas, prestar favores e principalmente cuidar das pessoas. Saber lidar com este papel é um desafio. Saber quando se apro - ximar e quando manter distância. Saber quando dizer “sim, é possível” ou dizer “não, agora é hora de voltar”.

• Relacionamento com outros condutores e empresas
O condutor deve ser cordial e prestativo, porém firme e profissional. Ter ética no trabalho como um todo respeitando outros parceiros de trabalho. Deve ser prestativo, ajudar mesmo que não seja solicitado; mas, lembre-se: cada um é Condutor em sua operação, portanto ajude, não mande.

4- DIREITOS E DEVERES DO CONDUTOR
A regra básica da responsabilidade civil (e penal) pode ser definida como:
“Aquele que, com sua conduta voluntária ou culposa, cria riscos para outras pessoas, assim, deve usar todos os meios a seu alcance para prevenir danos que daí possam advir, ficando obrigado a reparar os danos que efetivamente ocorrerem”.
Ou seja, o condutor, quando assume um grupo, assume a responsabilidade pelos riscos que essas pessoas serão expostas durante a prática da atividade.
O condutor terá o dever de informar e orientar os riscos a que se submeterão os participantes e tomar todas as precauções para prevenir tais riscos.
Deverá atentar para a composição dos grupos, trajetos, horários, disposição de equipamentos, material idôneo, e durante a atividade possuir o completo controle da conduta de cada participante, estando atento a fatores externos de risco.
Deverá ter em seu poder, para pronto uso, material de primeiros socorros adequados às atividades que serão desenvolvidas.
Deve planejar com antecedência rotas de fuga em caso de emergências e locais de atendimento hospitalar.Deve sempre estar acompanhado de, no mínimo, outro condutor.

5- ORIENTAÇÃO, LEITURA CARTOGRÁFICA E UTILIZAÇÃO DE BÚSSOLAS
Todo condutor de turismo de natureza deve ter habilidades bem desenvolvidas de leitura cartográfica, utilização de bússolas e orientação em diversos tipos de terreno.
É recomendável que o condutor efetue um curso de orientação de, no mínimo ,20 horas (teoria e campo) que deve abordar os seguintes aspectos mínimos:

• Introdução à orientação;
• Leitura de mapas;
• Utilização de bússolas;
• Navegação.

6- PRIMEIROS SOCORROS
O conhecimento de procedimentos em situações de emergência contribui para a mudança de atitude do condutor habilitando-o a salvar vidas.
O treinamento em técnicas de socorrismo oferece condições ao indivíduo para decidir e assumir posições tanto para interromper situações de risco, quanto para reverter um quadro onde um acidente já tenha ocorrido, atendendo a vítima adequadamente e evitando assim o agravamento da situação.
Desta forma o condutor deve efetuar um curso de primeiros socorros de, no mínimo, 40 horas que o habilite a efetuar e atuar em emergências.

7- PROCEDIMENTOS DE EMERGÊNCIA
Em qualquer ocorrência anormal (acidentes ou emergências) a primeira atitude a ser tomada é manter a calma. É um momento de superação psicológica, física e emocional. Muita calma, frieza e coragem são essenciais para enfrentar esse tipo de situação. Ao ocorrer um acidente, pense em como ser útil para ajudar a solucionar a situação. Canalize suas forças e pensamentos para encontrar soluções. Tente identificar a gravidade da ocorrência, levando em consideração o estado da(s) pessoa(s) envolvida(s).

• Mantenha a calma e identifique a ocorrência, verifique o estado físico e mental do(s) envolvido(s). Ganhe sua confiança e aplique a técnica que julgar mais útil para solucionar o problema (tais técnicas devem ser adquiridas com profissionais de resgate e primeiros socorros).
• Converse calmamente com o(s) envolvido(s) e transmita segurança para ele e para o resto do grupo. Mostre que a situação está sob controle.
• Procure identificar no grupo pessoas que estejam psicologicamente aptas a ajudar.
• Se o acidente for leve, ao prosseguir a viagem/roteiro redobre sua atenção com o acidentado, sempre verificando seu estado físico e psicológico.
• Se o acidente for moderado ou grave, ligue imediatamente para o 193 (telefone do resgate), expondo a gravidade e urgência do ocorrido e relatando a situação dos envolvidos. Nunca omita fatos. Seja claro, sucinto e objetivo nas informações.
• Concentre suas energias nos envolvidos. Observe atentamente as pessoas. Enquanto aguarda a chegada do resgate, tente identificar aquelas que se encontram em estado mais grave e necessitam de cuidados mais urgentes.
• Siga as normas e procedimentos adquiridos nos cursos de primeiros socorros e resgate.
• Ao retornar do roteiro, comunique à empresa o ocorrido. Ao fazer o relatório de viagem, relate detalhadamente o ocorrido e as providências tomadas para solucionar o problema.

Nenhum comentário:

Postar um comentário