terça-feira, 13 de janeiro de 2009

A origem da Hospitalidade

Possíveis origens do termo hospedar:
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Árabe: berge;
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Gótico: haribergen, originando o verbo hospedar e a palavra albergue.

Em Roma, o lugar onde as pessoas conseguiam instalações com alimentação e repouso em caráter temporário era conhecido como
hospitium. Esse termo era usado para todos os casos de hospitalidade, tanto comercial quanto familiar, ou seja, paga ou gratuita. Já a casa para hóspedes (hospes, hospitus) era disignada por hospitale, hospitaculum - hospedaria. O vocábulo hospício - no sentido de hospedaria, albergue - foi usado pela primeira vez na língua portuguesa no século XIV; já o emprego do termo hospital no nosso idioma foi registrado no século XIII. Com o passar do tempo, o sentido dessas palavras foi limitado às instituições de saúde, sendo que hospício foi restringido aos estabelecimentos especializados no tratamento de deficientes mentais.
O tipo de casa de hospedagem, em Roma, determinava o tipo de hóspede a ocupá-la. Naquela época, quem vinha de outras cidades e mantinha laços de amizades com residentes romanos ficava em suas casas como hóspedes. Os anfitriões que dispunham dessa hospitalidade domiciliar eram pessoas de destaque na sociedade local e perteciam a uma classe social superior, além disso o ato de hospedar dava-lhe status. Somente as pessoas de poucos recursos e menos exigentes quanto aos serviços de hospedagem/alimentação necessitavam de serviços pagos.

Alguns meios de hospedagem romanos:
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Ganeas: albergues frequentados por bêbados e prostitutas, eram os de menos padrão de atendimento;
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Cauponae: hospedaria simples, frequentadas por uma clientela diversificada, de hábitos rudes;
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Diversorium: geralmente afastadas das estradas, eram hospedarias luxuosas.

O
stabulum era outro meio de hospedagem em Roma, que oferecia acomodações ao viajante e ao seu meio de transporte, no caso, o cavalo. Essas hospedarias eram seletivas, pois eram restritas a quem possuía o meio de transporte. pouco acessível às massas. Os stabulum ofereciam razoável conforto a seus hóspedes, pessoas com recursos que por alguma razão não usufruíam a hospedagem de parentes ou amigos residentes nessas localidade.
Fora o
stabulum, havia também as mutationes e as mansiones. As mutationes localizavam-se nas grandes vias com a função principal de troca de animais e descanso dos viajantes. As mansiones serviam como abrigo para as tropas militares em marcha, além dos demais viajantes que necessitavam de acomodações para si e um local pata tratar e descansar sua montaria.
Nas estradas também havia estabelecimentos que serviam alimentos e bebidas, eram as
tabernae. Seus donos, pequenos agricultores, vendiam produtos provenientes de suas terras. As propinae serviam comidas e bebidas, já as oenopolia eram encarregadas de vender somente bebidas alcoólicas, enquanto bebidas quentes eram servidas nas thermopolia.
Esses estabelecimentos de hospedagem e serviço foram de fundamental importância para a expansão territorial do Império Romano, pois facilitavam o contato entre regiões distantes, além de favorecer a economia local.
No entorno dessas hospedarias e tabernas surgiam algumas edificações e posteriormente pequenas aldeias e até cidades. Acredita-se que cidades alemãs como Heildeberg, Mannhein, Stuttgard, entre outras, surgiram dessas primitivas hospedarias do Império Romano; o mesmo pode ter ocorrido na Gália, Lusitânia, Britânia e outras regiões.
Por volta do século XI, em Portugal, surgiram os albergues. Estes estabelecimentos serviam para hospedar as pessoas que vinham de lugares santos, eram geralmente anexos a mosteiros. Tais estabelecimentos localizavam-se nas antigas estradas romanas - rotas de peregrinos. Devido ao número e frequencia de pessoas transitando nessas entradas, o entorno desses albergues eram ocupados por inúmeros outros tipos de estabelecimentos que desponibilizavam serviços aos peregrinos e transeuntes, inclusive serviços médicos, daí o surgimento do nome hospital. As primeiras albergarias portuguesas foram fundadas pela Coroa nos mosteiros e por particulares, visando ao lucro. As albegarias dos mosteiros eram pricipalmente para religiosos em viagem, e eram conhecidas como hospício.
Com o advento desse tipo de hospedagem, houve por parte da nobreza a instituição de albergaria passiva. Isso significava que o vassalo deveria abrigar, compulsoriamente, seu senhor e sua comitiva em sua residência, quando estes estivessem de passagem. Essa hospitalidade incluía o fornecimento de alimentos, roupa de cama e os serviços domésticos. Foi a solução que a nobreza encontrou de ter hospedagem, quando era preciso, sem a necessidade de ficar sobre o mesmo teto que os pobres e doentes, frequentadores de albergues e hospitais. Posteriormente, os hospitais passaram a abrigar somente doentes.
Com o passar do tempo, foram instituídas e estimuladas normas e regulamentação para a criação de
estalagens ou estáus - também conhecidas por estáos ou hostáos - casa de aposentadoria pública ou da Corte. Essas regulamentações representaram um avanço nas relações entre as pessoas e o progresso da civilização. Foram criadas normas para padronização no atendimento, no intuito de garantir qualidade mínima das hospedagens.
Na França, nesse mesmo período (século XIII), o ato de hospedar já era algo difundido e profissionalizado, com cobrança de tributo por parte do governo, A partir de 1577, só era permitido abrir casa de hospedagem, taverna ou cabaré com autorização real.
- Crisóstomo F. R. Turismo & Hotelaria, DSL, São Paulo, 2004, pag. 23-24.

2 comentários:

  1. Excelente post. Não tinha conhecimento das origens etimológicas. Em Roma conheço um Albergue muito bom www.romitello.it A propriedade é de uma Congregação Religiosa.

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  2. eh confuso esse texto, a origem entao foi em roma? ou portugal? fica claro que portugal foi no sec 11, mas em roma nao diz que sec, so diz " naquela epoca" tenho q advinhar? ainda n comprendi onde se originou a hospitalidade... o termo se originou em roma? junto com a atividade?


    Bell Rodrigues

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