quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

AVIESP anuncia temas de cursos deste ano

A Associação das Agências de Viagens Independentes do Interior do Estado de São Paulo (Aviesp) iniciará a grade de cursos 2009 em fevereiro. “A grade foi elaborada de acordo com o que nos apontou a pesquisa de satisfação realizada em 2008, na qual os agentes nos posicionaram sobre os temas de interesse e sobre o período de aulas, que descartou os meses de janeiro e dezembro”, explicou o presidente da entidade, William Périco.
Em 2008, a Aviesp treinou 2,5 mil agentes em 90 cursos, ministrados em 11 regiões do interior do Estado de São Paulo. Para 2009, a meta é treinar 6,5 mil agentes, dentro da filosofia da Associação de que a grade ofereça cursos com aplicação no cotidiano dos agentes de viagem. Até o momento estão definidos os seguintes temas para 2009: Resorts, Cruzeiros marítimos, Disney, Cartão de Assistência, Roteiros Ecológicos, Receptivo e Venda de Moeda Estrangeira.
Os cursos serão ministrados nas regiões de Araçatuba, Bauru, Campinas, Mogi Mirim, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Rio Claro, Santos, São José do Rio Preto, Sorocaba e Taubaté, onde a entidade mantém suas delegacias regionais.
Informações:: tel. 19) 3234 2212 ou cursos@aviesp.org.br .

De Brasilturis Jornal.
28/01/2009 17:59

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Programa de qualificação a distância para o desevolvimento do turismo


Formação de Gestores das Políticas Públicas do Turismo

Iniciou dia 16 de janeiro 2009 as inscrições para o curso de Formação de Gestores das Políticas Públicas do Turismo que vai até o dia 15 de fevereiro 2009.
Promovido pelo Ministério do Turismo em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina, é o segundo do Programa de Qualificação para o Desenvolvimento do Turismo. Totalmente gratuito, o Curso oferta 3.000 vagas distribuídas em todo o território nacional. Será desenvolvido na modalidade de educação a distância e terá duração de 2 meses, com início previsto para o mês de abril de 2009.

Para se inscrever, você deve preencher seus dados no formulário disponível em: http://inscricoes.sead.ufsc.br/turismo2

E para mais informações acesse: http://www.turismo.gov.br/ead.

SEaD - Secretaria de Educação a Distância
UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina
MTur - Ministério do Turismo

Mercado de Trabalho: O Profissional de Turismo

Uma matéria antiga de 27/11/2001 retirada do site so Jornal Hoje, que nos apresenta um contexto interessante sobre o mercado turístico brasileiro e que ainda vale para nosso tempo atual. Vale apena se informar.

Oito mil quilômetros de praias, florestas, cachoeiras, montanhas... O Brasil é um paraíso para o turismo.
E há muito que ser explorado. Na reportagem de hoje sobre profissões, você vai ver que o profissional de turismo tem um país enorme para ser descoberto e preservado.
Hotéis, restaurantes, agências, eventos, centros culturais... o profissional de turismo atua em todas essas áreas.
"A profissão não está regulamentada, mas o mercado está exigindo um profissional de qualidade”, disse Paulo Mettig, diretor de faculdade do curso de Turismo.
A qualificação vem com a faculdade. No Brasil, cerca de 200 oferecem graduação em turismo. A procura é cada vez maior: 49,3 candidatos/vaga na Fuvest-SP: 49,3 candidatos vão disputar uma vaga no próximo vestibular da Fuvest. O curso dura quatro anos.
Em Santa Catarina, uma escola de turismo funciona dentro de um hotel. Em outra faculdade, foram montados um hotel e uma agência de viagens para as aulas práticas. O turismo emprega 400 mil pessoas no estado.
As regiões sul e sudeste têm o maior número de faculdades de turismo e também de profissionais. É, no entanto, na região nordeste que o mercado está mais promissor. Belas praias, clima bom, construções históricas e uma cultura marcante dão a Bahia, por exemplo, um passaporte para desenvolver o turismo.
Vão à Bahia, por ano, 4 milhões e 200 mil turistas. O estado fatura 1 bilhão de dólares com o setor. E os especialistas garantem: “O Brasil não está utilizando nem 30% do mercado potencial”.
"Temos também Amazonas, Tocantins e outros estados do Norte e Nordeste que estão precisando de profissionais mais qualificados para estruturar um turismo profissional”, disse Paulo Mettig.
O profissional de turismo é quem planeja o que fazer para explorar o potencial de uma área e promover seu desenvolvimento. Precisa ser bem informado, criativo, falar idiomas. A faixa salarial varia de 400 reais a 14 mil.
“Eu pretendo trabalhar com o patrimônio cultural para valorizar o que é nosso”, disse Vanessa Souza, estudante de turismo.
A interpretação do patrimônio é uma das áreas mais promissoras do mercado.
Os formandos sabem disso e desenvolveram um projeto para revitalizar o forte de Mont-Serrat, em Salvador, aproveitando os talentos da comunidade. Foram criados grupos de trabalho voltados para atender turistas.
Ela parece turista... mas não é. Andréia formou-se em turismo em São Paulo. Depois de um estágio, conseguiu um emprego no sul da Bahia. Trabalha com eco-turismo, uma área também em alta.
"Eu agendo os passeios para os hóspedes. é uma agência de passeios que nós temos dentro do hotel”, disse Andréia. “O profissional de turismo trabalha para o lazer dos outros. Mas, em alguns paraísos naturais - não dá para negar - bem que consegue se divertir”.
"Tenho certeza que o ambiente de trabalho é agradável", disse Isaac Soares. (Ele ri e aponta o mar).
Toda semana, no site do Jornal Hoje, teremos após a reportagem sobre profissões, uma entrevista com um profissional da área. A intenção é que você conheça bem cada profissão apresentada.
Roberta Pereira Alonso, 23 anos, trabalha na CIT (Companhia Italiana de Turismo), uma multinacional com sede em Roma, na Itália, com 13 filiais pelo mundo. Ela é a responsável pelo departamento de Incoming, que significa basicamente vender para estrangeiros o destino "Brasil". Estes estrangeiros são basicamente europeus e uma maior parte italianos. Roberta se formou pela Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

Jornal Hoje: O que é difícil na profissão de Turismo?

Roberta: O difícil na profissão é conseguir trabalhar com pessoas profissionalizadas e preparadas. O Turismo não é regulamentado o que significa que você não precisa fazer uma faculdade para exercer a profissão. Isso gera uma falta de profissionalismo do staff utilizado e também uma descaracterização do mercado. Basta você analisar, por exemplo, a faixa salarial dos profissionais. Constata-se um valor baixo, independentemente do cargo, se comparado a outras profissões. Isso ocorre por causa da grande oferta de pessoas que se dispõe a entrar na área, fazendo com que os profissionais especializados tenham que aceitar este tipo de oferta e concorrência.

Jornal Hoje:Quais as vantagens da profissão?

Roberta: As vantagens da profissão é a capacidade que os profissionais desenvolvem de lidar com as pessoas tanto clientes, como fornecedores. E a visão abrangente que deve-se ter nesta profissão para poder manter-se, como por exemplo noções de marketing. É bem verdade que geralmente as pessoas acabam por necessidade de trabalho viajando bastante, mas isto não quer dizer que você deva escolher o "Turismo" porque gosta de viajar. A relação viagem e trabalho é bastante diferente do que a maioria das pessoas pensam, essas viagens até bastante freqüentes, não tem nada a ver com fazer turismo mas principalmente com organizá-lo, conhecer serviços e profissionais de cada local onde se visita. Na maioria das viagens, particularmente, conheci as cidades onde estive apenas à noite quando saia para jantar.

Jornal Hoje:Qual o perfil de um profissional de Turismo?

Roberta: O profissional do turismo deve ser uma pessoa acima de tudo dinâmica. O mercado é bastante instável principalmente no país em que vivemos. Isso significa que o profissional deve sempre estar prestando atenção em diferentes tendências e não deve ter medo de mudanças. Deve encará-las como uma constante da profissão, e quem o fizer com certeza será bem sucedido e bem cotado.

Jornal Hoje:Quanto ganha um profissional da área?

Roberta: De R$ 400.00 a R$ 2.000. O salário nesta profissão depende muito da empresa e especialização da pessoa, como (mais uma vez) a profissão não é regulamentada, não tem uma faixa salarial obrigatória o que facilita aos empregadores decidirem sem nenhuma fiscalização o quanto devem pagar a um profissional. Conheço estagiários que ganham R$ 700.00 e também funcionários de empresas grandes que ganham R$ 300.00. Um fator importante nesta área para um aumento de salário é falar outras línguas. Quanto mais melhor!

Jornal Hoje: Qual dica que você dá para quem quer fazer o curso de Turismo?

Roberta: Minha dica é, se prepare bem! A falta de regulamentação atrapalha na maioria das partes relacionadas a profissão, mas sem dúvida ajuda quem está começando. A explicação está em justamente ao entrar na faculdade você já poder estar trabalhando na área, não importa se está no primeiro ou quarto ano. A pessoa já começa a ter visão e noção de mercado, o que ajudará bastante ao colocar no currículo para num futuro próximo conseguir melhores cargos. Particularmente, comecei a trabalhar no primeiro mês do primeiro ano de faculdade e, com certeza, perdi muitas festas, churrascos e "baladas" desta época...Mas por outro lado hoje trabalho numa empresa multinacional, que me proporciona um crescimento e desenvolvimento diferenciados. Além disso, você deve estar sempre disposto a estudar. Se hoje você vende o produto “Brasil” e é um especialista, amanhã poderá vender “Oceania” e deve ser também um especialista. Ou seja, tudo nesta profissão, em especial os destinos, devem ser conhecidos a fundo.

Jornal Hoje: Qual é a área de atuação de um profissional de Turismo?

Roberta: O profissional de Turismo dispõe de um leque bastante abrangente de áreas de atuação. Este profissional pode trabalhar na área de promoção e eventos, agência de turismo, alimentos e bebidas, hotelaria, recreação, entre outras. Com a faculdade de Turismo é possível conhecer um pouco de cada área e depois seguir a intuição e se especializar.

Qual é a tendência do momento?

Roberta: A tendência é trabalhar com o produto “Brasil”. Com certeza, para nós, o momento é estudar sobre o nosso país que possui um pouco de todas as maravilhas do mundo num só lugar. Os últimos acontecimentos fizeram a demanda de passageiros do mercado nacional e internacional (estes ainda com um pouco de receio do país pelas constantes notícias de violência) criarem uma curiosidade grande pelo Brasil. Existe o lado bastante divulgado da violência do Terceiro Mundo, mas todos já estão começando a analisar também as vantagens de preço, belezas naturais e cultura. A tendência do mercado é voltada neste momento para os países que não possuam diferenças raciais, para lugares onde a natureza seja mais rústica, criando um perfil até bucólico do novo "turista". E, principalmente, locais onde se possa relaxar do estresse da rotina diária com um sorriso acolhedor. Para nós ou para "eles" a grande tendência hoje tem 7.408 quilômetros de praias a serem conhecidas.

Se você quiser entrar em contato com a Roberta para algum esclarecimento ou comentário, mande um e-mail: roalonso78@hotmail.com

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

A origem da Hospitalidade

Possíveis origens do termo hospedar:
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Árabe: berge;
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Gótico: haribergen, originando o verbo hospedar e a palavra albergue.

Em Roma, o lugar onde as pessoas conseguiam instalações com alimentação e repouso em caráter temporário era conhecido como
hospitium. Esse termo era usado para todos os casos de hospitalidade, tanto comercial quanto familiar, ou seja, paga ou gratuita. Já a casa para hóspedes (hospes, hospitus) era disignada por hospitale, hospitaculum - hospedaria. O vocábulo hospício - no sentido de hospedaria, albergue - foi usado pela primeira vez na língua portuguesa no século XIV; já o emprego do termo hospital no nosso idioma foi registrado no século XIII. Com o passar do tempo, o sentido dessas palavras foi limitado às instituições de saúde, sendo que hospício foi restringido aos estabelecimentos especializados no tratamento de deficientes mentais.
O tipo de casa de hospedagem, em Roma, determinava o tipo de hóspede a ocupá-la. Naquela época, quem vinha de outras cidades e mantinha laços de amizades com residentes romanos ficava em suas casas como hóspedes. Os anfitriões que dispunham dessa hospitalidade domiciliar eram pessoas de destaque na sociedade local e perteciam a uma classe social superior, além disso o ato de hospedar dava-lhe status. Somente as pessoas de poucos recursos e menos exigentes quanto aos serviços de hospedagem/alimentação necessitavam de serviços pagos.

Alguns meios de hospedagem romanos:
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Ganeas: albergues frequentados por bêbados e prostitutas, eram os de menos padrão de atendimento;
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Cauponae: hospedaria simples, frequentadas por uma clientela diversificada, de hábitos rudes;
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Diversorium: geralmente afastadas das estradas, eram hospedarias luxuosas.

O
stabulum era outro meio de hospedagem em Roma, que oferecia acomodações ao viajante e ao seu meio de transporte, no caso, o cavalo. Essas hospedarias eram seletivas, pois eram restritas a quem possuía o meio de transporte. pouco acessível às massas. Os stabulum ofereciam razoável conforto a seus hóspedes, pessoas com recursos que por alguma razão não usufruíam a hospedagem de parentes ou amigos residentes nessas localidade.
Fora o
stabulum, havia também as mutationes e as mansiones. As mutationes localizavam-se nas grandes vias com a função principal de troca de animais e descanso dos viajantes. As mansiones serviam como abrigo para as tropas militares em marcha, além dos demais viajantes que necessitavam de acomodações para si e um local pata tratar e descansar sua montaria.
Nas estradas também havia estabelecimentos que serviam alimentos e bebidas, eram as
tabernae. Seus donos, pequenos agricultores, vendiam produtos provenientes de suas terras. As propinae serviam comidas e bebidas, já as oenopolia eram encarregadas de vender somente bebidas alcoólicas, enquanto bebidas quentes eram servidas nas thermopolia.
Esses estabelecimentos de hospedagem e serviço foram de fundamental importância para a expansão territorial do Império Romano, pois facilitavam o contato entre regiões distantes, além de favorecer a economia local.
No entorno dessas hospedarias e tabernas surgiam algumas edificações e posteriormente pequenas aldeias e até cidades. Acredita-se que cidades alemãs como Heildeberg, Mannhein, Stuttgard, entre outras, surgiram dessas primitivas hospedarias do Império Romano; o mesmo pode ter ocorrido na Gália, Lusitânia, Britânia e outras regiões.
Por volta do século XI, em Portugal, surgiram os albergues. Estes estabelecimentos serviam para hospedar as pessoas que vinham de lugares santos, eram geralmente anexos a mosteiros. Tais estabelecimentos localizavam-se nas antigas estradas romanas - rotas de peregrinos. Devido ao número e frequencia de pessoas transitando nessas entradas, o entorno desses albergues eram ocupados por inúmeros outros tipos de estabelecimentos que desponibilizavam serviços aos peregrinos e transeuntes, inclusive serviços médicos, daí o surgimento do nome hospital. As primeiras albergarias portuguesas foram fundadas pela Coroa nos mosteiros e por particulares, visando ao lucro. As albegarias dos mosteiros eram pricipalmente para religiosos em viagem, e eram conhecidas como hospício.
Com o advento desse tipo de hospedagem, houve por parte da nobreza a instituição de albergaria passiva. Isso significava que o vassalo deveria abrigar, compulsoriamente, seu senhor e sua comitiva em sua residência, quando estes estivessem de passagem. Essa hospitalidade incluía o fornecimento de alimentos, roupa de cama e os serviços domésticos. Foi a solução que a nobreza encontrou de ter hospedagem, quando era preciso, sem a necessidade de ficar sobre o mesmo teto que os pobres e doentes, frequentadores de albergues e hospitais. Posteriormente, os hospitais passaram a abrigar somente doentes.
Com o passar do tempo, foram instituídas e estimuladas normas e regulamentação para a criação de
estalagens ou estáus - também conhecidas por estáos ou hostáos - casa de aposentadoria pública ou da Corte. Essas regulamentações representaram um avanço nas relações entre as pessoas e o progresso da civilização. Foram criadas normas para padronização no atendimento, no intuito de garantir qualidade mínima das hospedagens.
Na França, nesse mesmo período (século XIII), o ato de hospedar já era algo difundido e profissionalizado, com cobrança de tributo por parte do governo, A partir de 1577, só era permitido abrir casa de hospedagem, taverna ou cabaré com autorização real.
- Crisóstomo F. R. Turismo & Hotelaria, DSL, São Paulo, 2004, pag. 23-24.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Check-in

No que se refere ao setor turístico, nos últimos anos foram vivenciadas algumas mudanças estruturais, das quais cabe ressaltar: globalização da econômia, acirrando a concorrência entre empresas; avanços tecnológicos, agilizando atendimento, desburocratizando sistemas e eliminando mão de obra; mudanças nas condições de oferta e demanda, algumas ocasionadas por fatores externos, como os atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA; preocupação mais efetiva com problemas ecológicos.

Como surgiu a palavra Hotel.

A palavra hotel vem do francês hôtel - hoje sem acentuação na língua portuguesa. Designava, em princípio, a moradia do rei da França. Posteriormente, a palavra hotel passou a designar todas as construções que se destacavam em relação ao seu entorno, seja pela imponência arquitetônica, suntosidade ou qualquer outro fator. Hoje em dia é comum vermos a palavra hôtel em edifícios que não são estabelecimentos de hospedagem, mas que possuem as características acima descritas, como Hôtel de Ville (prefeitura), o Hôtel de Dieu, que hoje funciona como museu, mas que socorriam enfermos carentes, em sua maioria, entre outros tipos de estabelecimentos.
Era comum em países como França e Itália, apesar de hoje ainda haver este costume, a aristocracia alugar quartos ou até mesmo todo seu hôtel (ainda no sentido de residência suntuosa, não como meio de hospedagem) às pessoas, quando se ausentava por um período. Hoje essas locações são mais aplicadas para casais em férias, eventos de empresas e casamentos. Geralmente são palácios e castelos antigos.
A palavra hotel popularizou-se para qualquer tipo de estabelecimento onde há locação de quartos mobiliados, porém, quando falamos de hotel, sempre relacionamos àquele estabelecimento mais luxuoso, distinguindo-se dos demais meios de hospedagem.
De Crisóstomo F. R. Turismo & Hotelaria - Ed. Difusão Cultural do Livro, 2004, pag. 24.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Pela Vida Humana nos Cursos de Graduação em Turismo

por Eloísa Inês dos Santos Coêlho

A segurança, como um todo, é fator preponderante na atividade turística. É relevante o conhecimento sobre segurança pessoal, prevenção de acidentes, gerenciamento de riscos e primeiros socorros na atividade do turismo no panorama atual. Apesar de o Ministério do Turismo e o Instituto de Hospitalidade estarem preocupados com o Turismo de Aventura, há uma carência de regulamentação nesse setor, pois a atividade do turismo é muito ampla e a preocupação não pode se resumir a um segmento apenas.

Pesquisas bibliográficas, consultas à legislação e questionários aplicados a acadêmicos do curso de Turismo da Faculdade Visconde de Cairu, na Bahia, deram amplo respaldo para que se chegasse à conclusão de que as faculdades de Turismo necessitam incluir, em seus cursos, disciplina com esse conteúdo. As palavras-chaves são Turismo, Segurança – Educação, Primeiros Socorros, Prevenção de Acidentes – Gerenciamento de Riscos.

Os cursos superiores de Turismo no Brasil iniciaram-se em 1970, devido à crescente demanda turística no país, exigindo cada vez mais mão-de-obra qualificada e profissionais capacitados para lidar com a exigência dos consumidores em relação à prestação desses serviços. O país carecia de profissionais que pudessem planejar e organizar as atividades turísticas e serviços correlatos, e que atuassem como mediadores entre os diversos grupamentos sociais do setor. O turismólogo (bacharel em Turismo) tem uma formação multidisciplinar. A área de atuação é abrangente, além de diversificada, e sua dimensão é imensurável, englobando administração, planejamento, organização, coordenação e tantas mais.

O gerenciamento de riscos, prevenção de acidentes e primeiros socorros são noções básicas fundamentais e práticas elementares, fáceis de serem adquiridas e de grande importância para todos os cidadãos, principalmente para o acadêmico em Turismo. O turismólogo deve ser uma figura mediadora entre os diversos domínios do turismo e possuir uma visão holística, sempre enfatizando a integração desses setores entre si. A prática dos diversos segmentos com segurança é fator preponderante. Para isso foram trazidas à luz as implicações que poderiam ter, para o turismo, as atividades programadas e executadas sem as técnicas da prevenção e primeiros socorros, já que uma das infelizes realidades do turismo é a ocorrência de acidentes.

A presença do comportamento ético, responsável e profissional na atividade turística é a base do desenvolvimento e da sustentabilidade do turismo. São elementos-chave. As atividades orientadas podem minimizar o fluxo de adrenalina, que leva indivíduos a participarem de atividades de risco, e aumentar o nível de consciência para a própria preservação e a dos que estão ao seu redor.

Acidentes vêm acontecendo há muito, em passeios, excursões, esportes, entre outros, causando danos irreversíveis aos acidentados. E, muitas vezes, esses danos não são causados pelos acidentes em si, mas sim pela maneira errônea ao socorrer a vítima, por erros no transporte dos acidentados ou, até mesmo, pela falta de habilidade e conhecimento das pessoas que estão por perto, que não sabem o que fazer nesses casos.

No Brasil, apesar da sua evidente importância, sabe-se muito pouco sobre a prática de primeiros socorros. A sociedade silencia e pode ser considerada, sem exageros, ignorante diante de tal situação. Noções básicas dessa atividade, que poderiam ser incluídas nos currículos de todas as séries como matéria obrigatória, continuam como privilégio de poucos.

Primeiros socorros, como o próprio nome sugere, são os procedimentos de emergência, aplicáveis a uma pessoa que esteja com a vida em perigo, com o intuito de manter os seus sinais vitais e evitar o agravamento até que a assistência médica chegue. A diferença entre urgência e emergência é que a primeira trata-se da situação onde não há risco imediato, já na segunda o atendimento tem que ser priorizado, pois existe risco de morte. A falta de conhecimento sobre a aplicação dos primeiros socorros pode ser fatal para um acidentado. Agir corretamente até a chegada de um médico faz toda diferença.

Um treinamento em primeiros socorros será sempre de grande utilidade em algum momento da vida. Prestar primeiros socorros, porém, requer domínio de habilidades que só podem ser adquiridas em treinamentos práticos, como a compressão torácica, mais conhecida como massagem cardíaca, para citar um exemplo, pois pessoas morrem simplesmente porque os que presenciam um ataque cardíaco não sabem como aplicar esse fácil procedimento.

O gerenciamento de risco é peça fundamental para o turismo. Ele tem como objetivo a prevenção de acidentes, facilitando a identificação e análise do risco, podendo assim desenvolver um trabalho baseado em informações concretas, e estar ciente dos riscos a que turistas e demais praticantes estarão mais expostos, os tipos de acidentes e onde podem ocorrer.

Quem sabe socorrer uma vítima corretamente está vários passos à frente do profissional comum. É uma pena que se inclua uma língua estrangeira nos currículos, mas não ensine sobre os primeiros socorros. Este conhecimento pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

Os cursos de Turismo poderiam, portanto, incluir a prática de primeiros socorros como disciplina obrigatória em sua grade curricular. Os coordenadores dos cursos, o Ministério do Turismo, o MEC e o próprio governo federal deveriam atentar para esta questão, já que a atividade turística cresce assustadoramente no Brasil e sendo geradora de postos de trabalho, emprego, rendas e divisas, precisa ser revista. Há uma lacuna que necessita ser preenchida. A atitude de preenchê-la significará uma vitória do bom senso.

Eloisa Inês Santos Coêlho (eloisaines@msn.com) é bacharel em Turismo, graduada pela Faculdade Visconde de Cairu-BA, técnica em Enfermagem, empresária hoteleira e voluntária da ong Férias Vivas, fundada em 2002, com a missão de "educar para o turismo e lazer seguro e responsável".

Biocombustíveis e Aviação

Continental Airlines realiza teste positivo sobre o Golfo do México.

Durou 90 minutos e mostrou o primeiro êxito no desenvolvimento dos biocombustíveis para a indústria aeronáutica. A Continental Airlines confirmou o voo de estréia de uma aeronave abastecida com a propulsão de mistura de combustível de biodiesel derivada de algas.
O trajeto foi realizado por um Boeing 737-800 que partiu do aeroporto de Houston e sobrevoou em circuito, o Golfo do México. O desempenho foi amplamente satisfatório segundo a equipe que realizou o teste e nenhuma modificação técnica nos equipamentos foi necessária para o uso deste tipo de combustível, cuja aplicação habitual está prevista para dentro de cinco anos.
Brasiltutis Jornal - 08/01/2009

Nota de esclarecimento da Embratur sobre utilização indevida da Marca Brasil - revista Rio for Partiers

Brasília (09/01) - A Embratur pediu à Procuradoria-Geral Federal (PGF), órgão da Advocacia Geral da União (AGU), que fossem tomadas providências contra a utilização indevida da Marca Brasil na revista Rio for Partiers, publicação sob responsabilidade da Editora Solcat Ltda.

A Marca Brasil é a logomarca utilizada para promoção turística e comercial do Brasil no exterior, cuja cessão de uso é de exclusiva responsabilidade do Ministério do Turismo, por meio da Embratur. Em nenhum momento houve qualquer pedido, por parte da Editora Solcat Ltda, de utilização da Marca Brasil na revista Rio for Partiers - ou seja, a editora não está autorizada a usar a logomarca em suas publicações.

O foco da promoção turística do Brasil no exterior é a diversidade cultural do País e suas belezas naturais. O Ministério do Turismo, por meio da Embratur, condena qualquer utilização de imagens, expressões ou apelos que remetam à exploração do turismo com conotação sexual e, por este motivo, não faz cessão de uso da Marca Brasil para publicações que vão de encontro a este conceito.

A ação ajuizada na Justiça Federal do Rio de Janeiro no dia 07 de janeiro de 2009, pede a concessão de medida liminar para a retirada de circulação da publicação, com uso indevido da Marca Brasil, sob pena de pagamento de multa diária não inferior a R$ 10 mil e o pagamento de indenização por danos morais e materiais causados pela publicação.

A Embratur aguarda a decisão judicial sobre o caso.

Site: Mtur

O agente de viagem e o comércio eletrônico

Mais de 75% dos norte-americanos disseram que preferem fazer seus próprios arranjos de viagem, de acordo com uma recente pesquisa realizada pela U.S. Tour Operators Association (USTOA). Somente 10% dos pesquisados disseram que comprariam viagens personalizadas e 5% que comprariam pacotes prontos. Esta pesquisa analisou um grupo de mil pessoas e foi conduzida em maio deste ano. De acordo com a pesquisa da USTOA, os baby boomers (norte-americanos nascidos entre 1946 e 1964, ou seja, que têm entre 44 a 62 anos) estavam mais propensos a comprar pacotes. Uma pesquisa similar realizada pela USTOA em 2006, descobriu que 70% das pessoas que tinham entre 55 e 64 anos estavam mais inclinadas a comprar uma viagem ou um pacote. Ou seja, a maioria dos entrevistados e as pessoas mais novas, passaram longe de uma agência de viagem na hora de escolher seus destinos. Mas será isso uma tendência?

Quem ainda compra pacotes?

Os clientes virtuais da maior operadora de turismo da América Latina, a CVC, são bem variados, de acordo com o diretor de Tecnologia da Informação da empresa, Marcos Fábio Faria. Em sua maioria é formado por homens com família, com idades que variam entre 35 e 45 anos. Segundo dados da pesquisa Web Shoppers, realizada com 1.069 brasileiros em 2007 e que analisa os hábitos e tendências do consumo pela internet, a web é o meio mais utilizado para auxiliar na hora de decidir pela compra de um pacote turístico. Cerca de 62% dos entrevistados disseram que buscam informações na rede para isso, seguido de 51% que afirmaram buscar informações em agências de viagem. Depois de escolhido o destino, consultar um agente para concretizar a compra ainda é a principal escolha, segundo afirmaram 75% das pessoas. Mas a ação de recorrer as lojas virtuais para adquirir o pacote já apresenta relevante participação entre os consumidores. Para aqueles que já possuem o hábito de comprar pacotes na internet, o melhor preço foi citado como principal determinante para o aumento da freqüência de compra pela web. A agência de viagens on-line Submarino Viagens é uma empresa pertencente ao grupo Submarino, líder de varejo eletrônico no Brasil. A empresa tem um sistema de reserva de passagens aéreas, hospedagem, pacotes turísticos e cruzeiros marítimos, além de parcerias com mais de 750 companhias aéreas, 50 mil hotéis em todo o mundo e em breve empresas de locação de automóveis. Discreta em relação aos seus negócios, procurada pela reportagem do Brasilturis Jornal, não quis revelar mais informações sobre seu crescimento. No entanto é sabido que ela tem tido bom crescimento e que está constantemente inovando suas ferramentas on-line. Outro novo ator é a Decolar. com , empresa fundada em agosto de 1999. Atualmente é a maior agência de viagem on-line da América Latina com escritórios no Brasil, na Argentina, no Chile, na Colômbia, nos Estados Unidos, no México, no Peru, no Uruguai e na Venezuela e mais de 500 funcionários. Por meio de seu portal é possível reservar e comprar viagens em tempo real, a partir de uma ampla rede formada por mais de 500 companhias aéreas, 80 mil hotéis, 70 locadoras de veículos e milhares de pacotes turísticos nacionais e internacionais. Por ano, são realizadas cerca de 18 milhões de consultas em toda a rede internacional Decolar. com, cujo faturamento em 2007 foi de, aproximadamente, US$ 125 milhões. Atualmente, conta com uma base de mais de 5 milhões de usuários registrados e um tráfego mensal superior a 3,5 milhões de visitantes em seus sites.

Os principais atores

A associação correspondente a USTOA no Brasil, a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), também anda preocupada com as novas tendências e com o comércio eletrônico. Segundo seu presidente, José Eduardo Barbosa, a entidade não tem pesquisa sobre o perfil de quem compra pacotes de seus operadores associados, mas já planeja entrar no mundo on-line. Com uma empresa já licitada, a Braztoa está pensando em uma ferramenta on-line exclusiva de venda para operadores. Ele também comentou sobre uma viagem aos Estado Unidos, nas cidades de Washington, Boston e Nova York para aprender as práticas do comércio pela internet. “Temos que começar a tirar proveito da internet e o operador precisa estar preparado”, explica Barbosa. Questionado se os agentes de viagem, na verdade, não seriam os mais afetados com o uso da internet, ele afirmou que ambos, agentes e operadores, correm riscos de serem ultrapassados na corrida tecnológica. “O diferencial tem que ser a qualidade”, concluiu. A CVC também já está preparando seu caminho na internet. Atualmente, ela já trabalha e também planeja algumas ações, como o monitoramento da navegação do cliente e a escolha de produtos ofertados, utilizando camadas de serviços que serão orquestradas de acordo com a necessidade de cada usuário. Desta forma, a operadora está cada vez mais ligada às novas tecnologias e tendências de mercado, visando aperfeiçoar o seu serviço de comércio eletrônico. Mas nesse mundo digital e hostil, onde o agente de viagem se encaixa?

O agente comum
Há três anos como agente de viagem, Paulo Jussio, que trabalha na Memphis Turismo não acha que a internet vai substituir o trabalho do profissional. “Os pacotes saem pelo mesmo preço, a única coisa que o cliente pode comprar com melhor preço são algumas tarifas nacionais de companhias aéreas”, disse Jussio. No início Juliana Kênia, da Turismo 10 São Luis, ficou receosa quanto as chegada de empresas como a Submarino Viagens, mas agora esse temor já desapareceu. “O cliente sente falta do contato humano”, garante Juliana. Raquel Garcia, da agência TTC, e agente há 14 anos, também concorda: “Na hora que alguma coisa dá errado, o cliente quer ter alguém para ligar e reclamar”. No entanto, ela afirma que já perdeu sim alguns clientes para o comércio digital e que os jovens vão às agências mais preparados sabendo o que querem, enquanto os mais velhos dependem mais de ajuda. A especialização e contanto com os fornecedores é o principal fator de confiança no futuro de Lourdes Vieira, da agência Everest. “Eu vou a quase todas as feiras. O comércio das agências virtuais não me assusta porque sei o que estou vendendo e de quem estou comprando”, conclui Lourdes.
Brasilturis Jornal - 29/10/2008.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Desvalorização do real estimula turismo internacional no Brasil

Brasília - A desvalorização do real em relação ao dólar, provocada pela crise econômica mundial, deverá estimular o turismo internacional no país, que fica mais acessível ao consumidor externo. A expectativa é da presidente da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), Jeanine Pires.
“O que percebemos no último trimestre de 2008 e que permanece no início de 2009 é uma reação a curtíssimo prazo dos estrangeiros do mercado sul-americano para o Brasil. Desde dezembro, observamos uma reação positiva dos argentinos, uruguaios e chilenos, turistas considerados de média distância", disse Jeanine.
De acordo com dados do Ministério do Turismo, em novembro, US$ 440 milhões ingressaram na economia do país por meio de gastos de turistas estrangeiros. Entre janeiro e novembro de 2008, o valor chegou a US$ 5,253 bilhões, ultrapassando em US$ 300 milhões toda a receita de 2007. O volume é 17,15% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado (US$ 4,484 bilhões).
Os desembarques em vôos internacionais no Brasil, entre janeiro e novembro, registraram a entrada de 5.949.676 passageiros. No acumulado, até novembro, houve um aumento de 3,83% em relação ao mesmo período do ano passado.
Jeanine afirmou que a principal meta é a atração de divisas para o país, uma combinação do número de pessoas que vem para o Brasil com o tempo que elas permanecem e com quanto gastam durante esse período. A promoção internacional começou em setembro de 2008 e seguirá até julho de 2010.
“A partir de janeiro, fizemos uma grande ofensiva continuando o trabalho de promoção internacional e analisando como cada país está se comportando de acordo com seu cenário econômico”, destacou a presidente da Embratur.
O crescimento do turismo tem reflexos diretos na economia nacional. Segundo a organização mundial World Travel & Tourism Council (WTTC), o Brasil cresce na liderança mundial na geração de empregos na área de turismo, passando de quinto em 2008 para quarto lugar em 2018.
“O investimento no setor de turismo é muito mais baixo que em outros setores da economia. A mão-de-obra é abundante e os investimentos são pequenos. No país há mais de 6 milhões de pessoas empregadas no setor, que emprega desde pessoas da economia informal, com curso técnico, e aos de nível superior”, acrescentou Jeanine.

De Agência Brasil.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Viagem de negócios deve elevar receita de hotéis.

Quem em 2008 experimentou um dos melhores entre os últimos anos bem poderia estar engrossando o discurso "borocoxô" em que "a crise" é sempre o sujeito da oração. Mas hotéis de negócios parecem ter deixado o choro de lado e, apesar de projetarem para 2009 crescimentos menores do que no ano anterior, prevêem um cenário positivo, que inclui até aumento de preços.
"Eu sou da opinião que, em tempos de crise, as pessoas tiram menos férias, mas trabalham e viajam mais para fechar negócios", diz Rafael Guaspari, presidente da Atlantica Hotels e do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb), que representa 27 redes de hotéis voltadas na maioria para viajantes corporativos. Guaspari acredita que será possível repassar para o valor das diárias pelo menos a inflação, estimada em 7%. Mas o nível do desemprego "parece crescente", segundo ele, e é o fator mais preocupante no ano que se inicia.

Nos primeiros dez meses de 2008, as redes conseguiram avanços acima de dois dígitos (ver quadro). Dados do Fohb mostram que a receita por apartamento (revpar, no jargão do setor) avançou 12% na média das capitais São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Salvador, Curitiba, Porto Alegre e Brasília, entre janeiro e outubro. O crescimento foi composto pelo aumento de 6% na diária e de 4% na ocupação. Praças como São Paulo, Curitiba e Porto Alegre apresentaram alguns dos maiores avanços.
Será difícil que esses resultados se repitam neste ano. Um relatório da Jones Lang LaSalle Hotels estima que em 2009 "o crescimento da performance dos hotéis do país será moderado, em comparação ao forte crescimento dos dois últimos anos". Contudo, de acordo com a análise, a desvalorização do real "deverá ter um impacto positivo para os hotéis de luxo urbanos e para os resorts".
Para o sócio da consultoria HVS, Diogo Canteras, não há motivo para desânimo. O crescimento do PIB neste ano pode não ser tão vigoroso quanto o de 2008, mas ainda assim a economia vai crescer. "Não é nenhuma tragédia crescer 2,5% em vez de 6%. A demanda por hotelaria vai subir", afirma.
As previsões das redes para 2009 são mais modestas do que os resultados de 2008, mas ainda apontam crescimento. A rede InterCity, com 13 hotéis, prevê crescer 5%, depois de ter elevado a receita do ano passado em 15%, para R$ 54 milhões. O forte aumento do faturamento em 2008 fez o resultado operacional crescer 25%, segundo Sérgio Bueno, diretor de novos negócios da empresa.
A Accor acredita que o movimento em seus hotéis já existentes devem crescer de 3% a 4% em 2009, menos do que os 10% planejados antes do estouro da crise em setembro. Em 2008, a rede alcançou receita de R$ 958 milhões na América Latina, com crescimento de 20% sobre 2007. O Brasil representa mais de 80% da oferta da companhia na região.
Ronaldo Albertino, diretor geral da Hotelaria Brasil, afirma que 2008 foi o melhor ano da rede de 11 hotéis criada em 2003. Na receita por apartamento houve avanço de 30%, parte gerado pelo crescimento de 7% na ocupação e parte pelo aumento de 13% nas diárias. O resultado líquido foi positivo pela primeira vez e somou R$ 650 mil. Para 2009, o executivo crê que será possível repassar aumentos nas tarifas, apesar de projetar uma redução da ocupação, ainda que "não profunda". A meta é elevar a receita em 5%, por meio do aumento das diárias, e manter o resultado final.
Para Canteras, mais importante ainda do que a demanda em 2009 é que haverá aumento controlado da oferta. A Accor e a Atlantica, que são as duas maiores do país - a primeira tem 145 hotéis e a segunda, cerca de 60 - devem ser umas das poucas a inaugurar novos empreendimentos: 15, no caso da primeira, e 9, no caso da segunda.
No passado, a grande vilã do setor foi a explosão da construção de novos hotéis em pouco tempo. Em São Paulo, por exemplo, o aumento da oferta entre 1998 e 2004 foi tão maior do que a evolução da demanda que os empreendimentos derrubaram suas diárias na disputa por hóspedes. O resultado foi uma queda de nada menos do que 70% na receita por apartamento e um enorme mal-estar entre as redes hoteleiras e os investidores - muitos dos quais pessoas físicas que foram atraídas pela promessa de rentabilidade feita pelas próprias redes e incorporadoras.
Agora, além de moderaram a abertura de novas unidades, as redes hoteleiras parecem ter entrado num consenso para segurar os preços. "As empresas aprenderam que baixar a diária para roubar cliente do outro não funciona: o número de hóspedes não aumenta e os investidores dos hotéis ficam muito frustrados", diz Roland de Bonadona, diretor geral da Accor para América Latina. Segundo ele, o público corporativo viaja independentemente do preço do hotel e é pouco estimulado por diminuição de tarifas. A Accor é a maior do país com 145 hotéis.
Isso quer dizer que, mesmo que a demanda fique estável ou caia um pouco em 2009, os preços devem se manter ou até mesmo aumentar. "É muito fácil baixar preço, difícil é elevar depois", afirma Sergio Bueno, diretor da InterCity, que endossa a tentativa das redes de resistir à redução. Redes como Atlantica e IHG disseram recentemente que pretendem aumentar as diárias em 10% em 2009.
Há também apostas no crescimento do mercado de eventos. O hotel Holiday Inn que fica ao lado do centro de exposições do Anhembi, em São Paulo, pretende crescer com realização de eventos que ocorrem em paralelo às grandes feiras de negócios e que exigem um capacidade de hospedagem elevada. O hotel é o maior da América Latina, com 780 quartos. Em 2008, a ocupação média foi de 44%. A meta é aumentá-la em 2009.

Roberta Campassi, do Valor Econômico - 02/01/2009.