quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Profissão Turismólogo


O turismólogo sofre das dificuldades características de estar ligado a uma área de conhecimento que podemos chamar de interdisciplinar ou até mesmo multidisciplinar. Ou seja, o profissional da área de turismo é aquele que,
necessariamente, deve buscar instrumentos nas demais ciências. O turismo é uma área de conhecimento (assim como a educação e a pedagogia, entre outras) que necessita ser complementada pelas demais áreas, tais como a geografia, a antropologia, a história, a psicologia, a sociologia, etc. Essa multidisciplinaridade faz do turismólogo um agente social.
Talvez o grande problema do turismo hoje seja a não compreensão e valorização, por parte das pessoas que não estão ligadas diretamente à área, de sua importância social.
De forma geral, as pessoas sempre pensam o turismo em termos de “profissão do futuro” ou “fonte de retorno financeiro para o país”.
Tem-se a certeza de que o investimento em turismo trará retornos financeiros e ajudará o país crescer. Assim a questão econômica está sempre em primeiro plano.
O que essa forma de ver a profissão de turismólogo não compreende é que o turismo não pode ser visto apenas pelo viés econômico. A questão do empreendimento turístico e seu retorno econômico para o país é apenas uma das suas possibilidades e não a única. Da mesma forma se pensa o lazer.
A opinião geral é que o lazer foi “criado” para que pudesse relaxar e descansar as pessoas depois de longas jornadas de trabalho.
Essa idéia se fundamenta no princípio do lazer como acessório e complemento do trabalho.
Em nenhum momento se pensa o turismo e o lazer como indispensáveis para se repensar a sociedade, a qualidade de vida, a justiça social e a condição humana. Ao contrário, há uma falsa percepção, as vezes do próprio profissional da área , de que as questões de relações humanas devem ser pensadas exclusivamente por outras ciencias (como a filosofia, a sociologia, a história, etc).
Acredito que, enquanto o profissional da área de turismo não conseguir demonstrar sua importância social, haverá sempre uma desconfiança no reconhecimento da profissão de turismólogo. O estudo do lazer e do turismo devem ser vistos como aspectos fundamentais da natureza humana. Como diz o Prof. José Guilherme Cantor Magnani, “a partir do lazer é possível pensar a sociedade e refletir sobre os valores mais gerais, pois ele não está desvinculado dos demais planos da vida social”.
Neuroses, depressão, angustias são subprodutos de uma sociedade que supervaloriza o trabalho (homo faber) em detrimento do lazer e do ócio. Assim, deve-se entender o lazer e o turismo como fundamento biológico da existência humana, que pode, e deve, ter como principal objetivo a re-união dos princípios fundamentais da natureza humana que são o lúdico (o ser humano que se diverte) e o faber (o ser humano que trabalha), transformando-os num momento de reflexão permanente sobre nossa existência, nossa relação com a sociedade e nosso compromisso com a preservação do planeta.
Dessa forma, o turismo deve buscar seu espaço como ciência social, cuja importância não esteja apenas centrada no econômico mas, principalmente, na sua capacidade de integrar homem e sociedade.

Maurício Gonçalves Saliba - Historiador, Mestre em Educação e Doutorando em Educação/UNESP. Revista Global Tourism

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