quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Perfil de Hotéis e Pousadas no Brasil

Maioria dos hotéis brasileiros (70%) pertence à categoria 'bom e barato', enquanto apenas (0,2%) é de 'luxo'. Cinco estados concentram (62%) dos empreendimentos hoteleiros e Búzios é o terceiro município com maior oferta.

Quem pretende aproveitar os bons indicadores de crescimento no turismo brasileiro registrados recentemente para investir em meios de hospedagem vai poder contar com informações estratégicas sobre esse dinâmico mercado. A 'Estatística de Hotelaria Brasileira: dos pequenos e médios aos grandes meios de hospedagem' apresenta análises que ajudam bastante na hora de decidir onde, como e qual o formato mais adequado para empreender em pousadas e hotéis.
A pesquisa foi realizada pelo Sebrae e pela Associação Brasileira de Hotéis e Pousadas (ABIH), com base no banco de dados da Editora Abril, colhidos por jornalistas do Guia Quatro Rodas. Do universo total de aproximadamento 18 mil empreendimentos de hotelaria existentes no país, a pesquisa coletou amostras em 7.003 hotéis e pousadas, compostos por 343.536 unidades habitacionais. Os indicadores estão destribuídos por região, estado e município, e fornecem valiosas informações sobre infra-estrutura e serviços.

Sudeste tem metade dos hoteís.
A grande maioria dos hotéis e pousadas (70%) tem estrutura simples ou se enquadra na categoria de "viajar bom e barato (VBB)". Apenas (0,2%) é representado por hotéis de luxo, sendo responsável por (1%) das unidades habitacionais. O restante é formado por hotéos da categoria "confortáveis" ou de "médio conforto". A região Sudeste detém, como era esperado, (47%) dos hotéis e pousadas. Já o Nordeste tem um quarto do percentual (24%), seguindo pelo Sul (19%), pelo Centro-Oeste (7%) e pelo Norte (3%).
Mas, quando o foco da pesquisa volta-se para os estados, percebemos que (62%) dos empreendimentos de hotelaria concentram-se em apenas cinco estados: São Paulo (20,2%), MInas Gerais (12,3%), Rio de Janeiro (11,8%), Bahia (10,3%) e Santa Catarina (7,4%). Os que apresentam os índices mais baixos são Roraima, Amapá, Acre (todos com 0,1%), sequidos de Rondônia (0,4%), Tocantinse Sergipe (estes com 0,5%).
A concentração diminui bastante quando se avalia por município. São Paulo (3,3%), Rio de Janeiro (1,7%) e Armação de Búzios (1,5%) apresentam a maior quantidade de estabelecimentos. Esta última cidade, curiosamente, desbanca facilmente capitais, como Florianópolis e Curitiba (cada uma com 1,3%). Dos municípios nordestinos, os destaques ficam com Fortaleza e Natal (com 1,2%), ou seja, com percentual bem acima dos destinos massificados por festas populares como Salvador (0,9%) e Recife (0,5%).
A pesquisa também classificou os estabelecimentos quanto ao número de apartamentos. Conceitualmente, os empreendimentos pequenos dispõem de até 50 apartamentos, enquanto os de porte médio têm entre 50 e 100 unidades. Os grandes são compostos por mais de 100 quartos. De acordo com a amostra, (70%) dos hotéis são pequenos. O restante é formado por estabelecimentos médio e grandes.
Sob esse aspecto, o ranking por região muda completamente porque existem muitos lugares com poucos hotéis, mas com grande oferta de quartos. O maior número de apartamentos está mesmo no Sudeste (42%), mas o Sul (18%) ultrapassa o Nordeste (17%), e o Norte (17%) ganha de longe do Centro-Oeste (6%).

Pequenos estabelecimentos.
Mesmo quando fazemos um recorte para os estabelecimentos de pequeno porte (até 50 apartamentos), a distribuição regional é previsível. O sudeste fica com (48%), seguidos pelo Nordeste (24%), pelo Sul (16%), pelo Centro-Oeste (7%) e pelo Norte (3%). Com relação aos municípios, os pequenos empreendimentos da rede hoteleira têm maior presença em Búzios (RJ), com (1,9%), seguidos de São Sebastião (SP), com (1,8%) e Campos do Jordão (SP), Parati (RJ) e Gramado (RS), todos com (1,3%).
Isso mostra que determinados balneários e grandes municípios não oferecem muito espaço de crescimento a pequenos hotéis e pousadas, constatada e pequena presença deles em lugares como Porto de Galinhas (PE), com (0,8%), Porto Seguro (BA), e a capital paulista, com (0,7%). Em todo os caso, a maior disponibilidades de pequenos estabelecimentos concentra-se em cidades turísticas.
Ao todo, a maioria dos pequenos empreendimentos é da categoria "simples" (61%) e "viajar bom e barato (VBB)" (22%). Já os pequenos hotéis de luxo (0,02%) e os muito confortáveis (0,1%) não passam de traços no ranking. Uma forte característica desses empreendimentos de pequeno porte é a presença dos proprietários (60,3%) no local.
De acordo com o ex-presidente da ABIH, Eraldo Cruz, o Nordeste está formando grandes proporções. "esta região vai explodir quando Sergipe e João Pessoa tiverem bons aeroportos. Por enquanto a grande força regional é a Bahia, que é fruto de um trabalho intenso e de muitos anos, mas Ceará vem logo atrás. Além disso, o Nordeste tende passar o Sul em razão da proximidade com a Europa e os Estados Unidos e pela oferta de sol o ano todo. Já o Sul é sazonal e depende dos países do Mercosul", compara.

Aparelhos de TV e toalhas bracas.
Com relação aos equipamentos dos aposentos, os mais encontrados são Aparelho de TV (88,3%), Toalhas Brancas (55,4%), Colchão de Espuma (50,7%), Bancada (50,4%), Travesseiros de Espuma (48,8%), Lençóis Brancos (48%), Chuveiro com Aquecimento Central (45%), Lençois de Algodão (43%), Chuveiro elétrico (41%), Ducha Higiênica (37%), Box Blindex (34%), Edredon (31%) Assinatura de TV (34%).
Por atender principalmente ao turismo de eventos, (30%) dos hotéis pesquizados dispõem de Sala de Convenções, em variadas configurações, incluindo salas com até 21 itens diferentes. Os mais comuns são Flip-Chart (22,5%), Equipamentos de som próprio (14,6%) e Quadro Branco ( 13,9%).
Entre itens com menos disponibilidade, incluindo todos os tipos de serviços, equipamentos e áreas de lazer, vale destacar Campo de Golfe (0,3%), Equipamentos de Mergulho (0,3%), Guia de Ecoturismo (0,3%), Mini-fazenda (0,3%), Museu (0,3%), Parque Aquático (0,3%), Teatro (0,3%), Restaurante 24 horas (0,3%), Afiteatro (0,2%), Berçário (0,2%), Boliche (0,2%), Equitação e Instrutor de Equitação (0,2%), e Instrutor de Surfe (0,2%).
Para o Gerente de Atendimento Coletivo - Comércio de Serviços do Sebrae Nacional, Vinícius Lages, é a primeira vez que se fez uma pesquisa dessa natureza, cujos resultados serão úteis também para empresas fornecedoras e para entidades governamentais na formulação de políticas públicas para o segmento hoteleiro. "Ter informações sobre quais os principais materiais de consumo dos hotéis, por exemplo, representa uma ferramenta de marketing poderosa", afirma.
Lages também ressalta que a pesquisa pode indicar a necessidade de uma maior variedade conceitual de meios de hospedagem. Ou seja, será que o litoral baiano ou algum destino turistíco de aventura requer hotéis vestidos de mármore e granito? Uma boa escolha para esse tipo de turismo poderia ser, por exemplo, os chamados hotéis de charme, ou mesmo os albergues na juventude ou hospedagens para mochileiros, contanto que sejam confortáveis e baratos, como acontece na Nova Zelândia e Austrália. "Essa análise qualitativa também é fundamental porque vai orientar e reorientar investimentos e estimular o empreendedorismo lical", diz.

Piscina é principal oferta de lazer.
Quanto aos serviços oferecidos pelos estabelecimentos de hospedagem, a pesquisa registrou pelo menos 188 itens, indicando boa diversificação de opções referentes a área do lazer. Os itens mais presentes são Piscina (59,1%), Sala de Ginástica (17,6%), Massagem (9,5%) e Tênis (7,3%). Em termos de área social, o destaque fica por conta de Churrasqueira, existente em um de cada cinco hotéis pesquisados. Esse índece cresce para (22,3%) para estabelecimentos menores.

Texto: Alessandro Soares, Revista Sebrae, 2006.

Nenhum comentário:

Postar um comentário